Em um desdobramento do trágico caso de envenenamento que chocou o município de Alto Horizonte, na região norte de Goiás, o menino de oito anos, irmão de Weslenny Rosa Lima, de nove anos, que não resistiu ao crime, recebeu alta do Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN). A notícia, confirmada uma semana após os fatos, traz um alento em meio à dor, enquanto a investigação avança e mantém o padrasto das crianças, Ronaldo Alves de Oliveira, de 34 anos, detido preventivamente como principal suspeito. O caso, que envolve a morte da menina e a tentativa de homicídio do irmão, expõe a complexidade das relações familiares e a urgência da justiça.
O Drama Familiar e a Suspeita de Veneno
A tragédia familiar se desenrolou na noite de 28 de março, quando Weslenny, sua mãe Nábia Rosa Pimenta, o irmão e o padrasto, Ronaldo, compartilharam um jantar. Segundo o relato da mãe, Weslenny começou a sentir-se mal horas depois da refeição, com dores intensas na barriga e um clamor por socorro médico. “Mãe, minha barriga tá doendo. […] Mãe, eu não tô aguentando, me leva pro hospital”, teria implorado a menina, de acordo com Nábia. Apesar do atendimento hospitalar e uma breve melhora, o quadro de saúde da criança piorou drasticamente, culminando em uma parada cardiorrespiratória fatal. O irmão, embora também apresentasse sintomas, conseguiu se recuperar após internação.
A investigação da Polícia Civil revelou detalhes perturbadores. O laudo cadavérico de Weslenny apontou que a causa da morte foi envenenamento por chumbinho, uma substância altamente tóxica e de venda proibida no Brasil, geralmente utilizada como raticida. Em uma inspeção na residência da família, policiais encontraram uma panela de arroz contendo grânulos pretos. A perícia subsequente confirmou que o arroz estava contaminado com a mesma substância que vitimou a menina. Além disso, a cena do crime foi ainda mais macabra com a descoberta de quatro gatos mortos nas proximidades da casa, também por envenenamento, possivelmente após ingerirem os restos da refeição contaminada.
A Prisão do Padrasto e os Depoimentos Chocantes
Ronaldo Alves de Oliveira foi preso preventivamente em 1º de abril e é investigado por crimes gravíssimos: feminicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio triplamente qualificado. As qualificadoras – que podem incluir o uso de meio cruel, motivo fútil e crime contra menor – elevam a pena e reforçam a brutalidade dos atos. Em seu depoimento inicial, Ronaldo afirmou ter sido o responsável por preparar a comida naquela noite e que descartou os restos em uma sacola plástica, onde, segundo ele, os gatos teriam encontrado o veneno. No entanto, ele alegou ter passado mal também, precisando de atendimento médico, embora tenha recebido alta no dia seguinte. A mãe das crianças, por sua vez, não apresentou qualquer sintoma.
As declarações de Nábia Rosa Pimenta, mãe das crianças, adicionam uma camada ainda mais sombria ao caso. Ela relatou à polícia que Ronaldo vinha demonstrando impaciência com as crianças há algum tempo. A mãe também mencionou ter recebido um vídeo do suspeito, em tom de ameaça. Além da preocupação com a segurança dos filhos, Nábia expressou o temor de que o crime pudesse ter sido uma retaliação de Ronaldo por ela querer terminar o relacionamento, uma maneira cruel de “atacá-la” através dos filhos. Essa hipótese ressalta a complexidade e a violência latente em relacionamentos abusivos, onde a vida dos mais vulneráveis pode ser usada como arma.
O depoimento do filho mais novo, que sobreviveu ao envenenamento e agora recebe alta, é crucial para a investigação. A criança de oito anos relatou à polícia que Ronaldo já os havia agredido, tanto a ele quanto a Weslenny, embora pontualmente. Essa informação foi corroborada pelo pai biológico das crianças, que também prestou depoimento e confirmou ter havido um desentendimento com o padrasto por conta de agressões contra a menina. Tais relatos pintam um cenário de violência doméstica pré-existente, o que agrava a suspeita sobre o padrasto e aponta para um histórico de comportamento agressivo dentro do ambiente familiar.
A Defesa do Suspeito e os Desdobramentos da Investigação
A defesa de Ronaldo Alves de Oliveira, por sua vez, afirma que ele é inocente das acusações. Em nota, os advogados informaram ter recebido a notícia da prisão com naturalidade, orientando que o suspeito se apresentasse espontaneamente à delegacia para colaborar com os esclarecimentos, justamente por acreditarem em sua inocência. A defesa também nega as agressões às crianças, alegando que depoimentos provam que Ronaldo cuidava “muito bem” delas. Sobre o vídeo de ameaça mencionado pela mãe, o advogado do suspeito informou que o material foi gravado há três anos, buscando desqualificá-lo como prova recente de intenção criminosa. Essa disputa entre acusações e defesa é um elemento central de muitos processos criminais, onde cada lado busca apresentar sua versão dos fatos.
O caso de Alto Horizonte ressalta a importância da investigação aprofundada, da coleta de provas periciais e da proteção de testemunhas, especialmente crianças. O envenenamento, um método insidioso e cruel, choca a sociedade e alerta para os perigos da violência doméstica, muitas vezes invisível por trás das portas fechadas. O desdobramento da investigação e o julgamento de Ronaldo Alves de Oliveira serão acompanhados de perto, buscando oferecer justiça à memória de Weslenny e segurança ao seu irmão e a todos os que são vítimas de crimes hediondos no seio familiar. A sociedade clama por respostas e por medidas que previnam futuras tragédias como esta.
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Fonte: https://g1.globo.com