Pacientes, familiares e defensores da causa da fibromialgia se uniram em diversas cidades brasileiras neste domingo (17) para uma mobilização nacional que visou jogar luz sobre a síndrome e intensificar a cobrança por tratamento digno e garantia de direitos dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Em Brasília, o Parque da Cidade foi palco de um evento com sessões de acupuntura, liberação miofascial e orientações sobre fisioterapia e suporte psicológico, destacando a complexidade da condição e a necessidade de um cuidado integral.
A fibromialgia é uma síndrome crônica, muitas vezes invisível aos olhos alheios, marcada por dores musculares e articulares difusas, fadiga extrema, distúrbios do sono e dificuldades cognitivas. Embora não cause inflamações ou deformidades, seu impacto na qualidade de vida é profundo, limitando atividades diárias e o desenvolvimento profissional, como explica a servidora pública Ana Dantas, uma das organizadoras da atividade: "É uma doença que não é visível, ela existe no nosso corpo, mas ninguém vê".
Avanços Legais e o Desafio da Efetivação no SUS
No Brasil, a luta por reconhecimento da fibromialgia tem conquistado marcos importantes. Uma lei federal de 2023 estabeleceu diretrizes para o atendimento no SUS, prevendo uma abordagem multidisciplinar, incentivo à informação e capacitação de profissionais. Além disso, a legislação enquadra pessoas com fibromialgia, após avaliação biopsicossocial, nos mesmos direitos da Pessoa com Deficiência (PcD), possibilitando acesso a benefícios como auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Contudo, a lacuna entre a lei e a realidade ainda é grande, com acesso limitado a diagnóstico e tratamento especializado pelo sistema público de saúde. "A nossa mobilização é no intuito de buscar políticas públicas, adequar a demanda da comunidade fibriomiálgica no SUS", ressalta Ana Dantas.
A servidora de 45 anos, que descobriu a doença há pouco mais de um ano, exemplifica as adversidades impostas pela condição. "Coisas que a gente fazia ali durante 20 minutos se gasta umas três ou quatro horas para poder finalizar. É tudo muito lento, tem a questão do esquecimento, a gente esquece as coisas fácil, além da dor que é toda do corpo", relata, sublinhando o desgaste físico e mental que afeta o cotidiano de milhões de brasileiros, majoritariamente mulheres entre 30 e 60 anos.
O Caminho para o Diagnóstico e o Tratamento Adequado
Com causas ainda em estudo, a fibromialgia é associada a alterações na percepção da dor pelo sistema nervoso central, frequentemente desencadeada por estresse, traumas e fatores genéticos. O diagnóstico é clínico, e o tratamento ideal envolve uma abordagem multifacetada: medicamentos, exercícios físicos (como caminhada e hidroginástica), fisioterapia, acompanhamento psicológico e mudanças no estilo de vida. A psicóloga Mariana destaca a importância da "psicoeducação" para lidar com as limitações e a autoestima, especialmente entre mulheres, enfatizando a necessidade de acolhimento.
A mobilização deste domingo reforça a urgência de que as diretrizes legais se traduzam em atendimento efetivo e de qualidade. O Diário Tribuna Verde segue acompanhando as demandas da sociedade por mais saúde e direitos, e convida seus leitores a se manterem informados sobre este e outros temas relevantes que impactam a vida em nossa comunidade e no país.